“A individualidade é a qualidade nossa que aparece como mera decorrência de um ato de amor. Se tentamos nos anular em nome de fazer bem alguma coisa, desejando o bem do objeto, da pessoa, da coisa feita, então nosso “estilo” aparece. É um bonito paradoxo que seja necessário anular-se para efetivamente ser alguém. Mas, enfim, quem quiser salvar a sua alma, terá de perdê-la.”

(do Pedro Sette)

Tenho tanta paciência para o “anarco-capitalismo” como vontade de discutir “mais valia” com seus respectivos adeptos. Haja saco.

Superados os dias de “patrulha ideológica”, evoluímos para as tardes de cooperativismo intelectual.

No Blog do Alon: “Uma parte da esquerda brasileira luta com firmeza para que Battisti continue aqui – e não volte à Itália para cumprir pena. O raciocínio é objetivo. Os crimes de que o acusam são políticos, ainda que hediondos.”

Assim é. Essa “parte da esquerda” é a predominante no Brasil, ainda que hedionda. E firma-se no governo, ainda que hedionda. Mantém altos índices de popularidade, ainda que hedionda. E é defendida pela esquerda não-hedionda, ainda que hedionda. A isso eles chamam “tolerância”, ainda que hedionda.

Continuo minha leitura, e o Alon termina perfeitamente seu post: “Os mesmos órgãos estatais e forças políticas que militam na linha de frente a favor de Battisti defendem posição oposta em outro assunto relacionado, a anistia aos torturadores. Como Battisti tem origem na esquerda, merece ser defendido e não deve pagar pelos seus crimes. Como os torturadores torturavam para defender um regime de direita, é inaceitável que se considere terem sido benefiados pela Anistia de 1979 e pelos textos legais que a aperfeiçoaram, já na democracia.”

Esse é o governo que, segundo alguns, é o melhor que o Brasil já viu – mesmo que grande parte de suas reais virtudes seja xerox do governo anterior. E não bastam outras manchas ainda piores que acolher um notório homicida por cega e estúpida afinidade idelógica, principalmente na política externa. Parece que distribuir dim-dim prá pobre dá carta branca para qualquer excrescência moral. E são poucos os esquerdistas não-hediondos que se recusam a entregá-la.

http://www.vedrashko.com/uploaded_images/communist_mutants-740168.jpg

E tenho lido seu blógue na ÉPOCA semanalmente.

Lula não matou a fome de um único brasileiro com seus programas sociais. Não há notícia de um só beneficiário do bolsa família que tenha deixado de passar fome por causa da mesada governamental. Não há indigentes com filhos matriculados e assíduos nas escolas.

Por que, nessas horas, Lula nunca fala do Fome Zero? Porque sabe que sua mágica populista era puro ilusionismo. Depois do vexame de inflar os números da desnutrição no Brasil, o presidente entendeu que o que encheu barriga dos brasileiros necessitados foi a política econômica – que ele herdou e da qual virou ortodoxo seguidor, embora insistisse na desonestidade intelectual da “herança maldita”.

(…)

Com nova eleição no horizonte, fica cada vez mais claro que os famintos não precisam tanto de Lula quanto Lula precisa dos famintos.

Mais uma da série “miséria da ideologia”.

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Artigo do Cato.

“O país é pobre? Obras públicas. A dívida cresce? Obras públicas. A desigualdade? Obras públicas. Crise? Obras públicas. Corrupção? Obras públicas. O país é pobre? Obras públicas.”

(daqui via aqui)

César Miranda relata sua viagem em 11 pontos. Adorei todos, mais ainda o último (“Paris é como ir ao dentista: deve-se visitar, pelo menos, uma vez por ano”). É verdade, higiene mental é quase tão importante quanto a bucal. Quase.

Falando no CM, por uma dessas, ele apareceu no Dicionário Invertebrado, verbete 151.

Leio que alunos duma universidade chamada Uniban hostilizaram uma de suas colegas que usava minissaia e tinha modos e banhas atrevidas. Indo ao ponto, o que isso tem a ver com a esquerda? Lembram do estardalhaço acerca d’O Indivíduo há 12 anos? Pedro Sette, Álvaro Velloso e Sergio di Biasi colocaram uma minissaia no Movimento de Ação Afirmativa e um espartilho em Marx. Em ambos os casos, na PUC e na Uniban, a resposta dos escandalizados foi algo próximo do linchamento. A esquerda universitária e bem nascida e o politicamente correto são movidos pelo mesmo espírito que sopra as narinas de qualquer moralismo fácil: o pensamento de grupo, o cooperativismo intelectual, o bode expiatório e, por fim, o escândalo farisaico.

Os mesmos alunos da PUC que tocaram para fora os “indivíduos” de seu curralzinho acadêmico, hoje trintões, devem ler as notícias do quase linchamento da Uniban e pensar: “bicho, foi contra essa intolerância que lutei no meu tempo de estudante”. Intolerância, só de vanguarda.

Soube pelo Marton, entre outras coisas, que o diploma de jornalismo obrigatório pode voltar, sim, em forma de EMENDA CONSTITUCIONAL. Escusado dizer que foi proposta do partido deste governo, mantendo mais uma relíquia da ditadura.

- Quantos brasileiros são necessários para trocar uma lâmpada?

- Todos.

- Todos?!

- 1 para trocar a lâmpada, 4 para elaborarem a prova de Técnico Trocador de Lâmpada do Município, 1 subchefe do departamento de obras públicas, 4 fiscais para inspecionarem a escada em que subirá o técnico, 1 repórter para denunciar o desvio de lâmpadas, 1 juiz para ordenar a terceirização do serviço até que o caso de corrupção fique arquivado, e 190 milhões para pagarem os impostos.

“Admito que, neste ponto, muitos conservadores entendam que é ao governo que compete a manutenção da ordem tradicional, e que esse seja o grande equívoco que continua a separar alguns liberais de alguns conservadores. Mas não é isso necessariamente que defende todo o pensamento conservador, e não vejo incompatibilidade em aceitar a tradição como o motor fundamental da ordem social espontânea, e o conservadorismo defensor da tradição e de um governo mínimo como a melhor expressão prática da política e do governo. Julgo até que eles casam muito bem.”

(do Portugal Contemporâneo)