“O homem tem o direito de desacreditar o universo, de sentir que está num mundo estranho e hostil. Escritores modernos como Albert Camus, Jean Paul Sartre e outros têm falado da terrível absurdidade da existência. Nós vivemos num mundo frio, morto ou moribundo, que nós não podemos acreditar, porque é ameaçador, inumano, sem sentido e absurdo. É claro que esses escritores, romancistas, dramaturgos e filósofos, falam como ateus (Sartre e Camus escreveram sob a perspectiva de um existencialismo ateísta), e parecem ter negligenciado uma coisa. Quando eles falaram que o mundo era absurdo e sem sentido, eles sabiam disso apenas porque o homem tem a noção oposta de “sentido”. A pessoa que não conhece o que é “sentido”, não sente nem compreende o que é “sentido”. Ele jamais se rebelaria contra nem ficaria perturbado pela absurdidade, mas viveria como um peixe n’água. E o fato de que o homem se revolta contra o absurdo e a falta de sentido da existência, fala pela existência deste.”
Da última palestra dada pelo Padre Aleksandr Men’, Cristianismo.


4 comments
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Julho 24, 2008 às 12:58 pm
nagel
Esse argumento é bem interessante. É possível utilizá-lo tendo a justiça, a beleza, ou a própria idéia de perfeição como critérios. Nessa mesma linha é que também se pergunta como é que o homem pode ter chegado à idéia de evolução como a ciência a entende hoje em dia se ele é fruto de fato dessa evolução — que, pra começar, descarta a possibilidade de qualquer conhecimento verdadeiro sobre o que quer que seja.
Mas não conhecia Aleksandr Men. Obrigado por indicá-lo.
Abraços.
Julho 26, 2008 às 2:16 pm
Igor T.
Tenho grande admiração por Men’, Nagel.
Agora, sobre a evolução, confesso que não formei opinião alguma. Já li o Origem das Espécies e, se muito me lembro, alguma coisa tipo “A Descendência do Homem” ou, talvez, um estudo sobre formigas. One-night-reading. Nunca me prendi muito no assunto, mas posso dizer que a leitura foi empolgante. Atendo-me unicamente ao “Origem…”, já dá para matar a baboseira de evolucinismo ateísta, pelo menos da parte de Darwin. Há passagens inequívocas disso. Quer saber, você me deu uma idéia: depois as publicarei aqui.
Abs,
Julho 27, 2008 às 2:47 am
nagel
Não sou nenhum entendido no assunto, Igor. Mas sei que há essa diferença. Por isso me referi ao modo como a ciência atual vê a coisa e etc. O argumento que mencionei, na verdade, é do Lewis, e foi apresentado em “Miracles” e em alguns outros ensaios. Há um filósofo americano, Alvin Plantinga, que tem trabalhado com essa perspectiva atualmente. Sei bem pouco a respeito, mas me parece bem interessante.
Abraços.
Julho 27, 2008 às 9:23 pm
a origem no original «
[...] os que acompanharam os comentários do Nagel, as passagens acima mostram de forma inequívoca que a associação direta de evolucionismo [...]