Quando um garoto vai à escola de circo, de futebol, a uma oficina, pupulam embaixadores do ensino-público-de-qualidade subestimando tais caridades por suposta insuficiência, porque não dão diplomas de graduação aprovados pelo governo. Devo discordar. Pode-se ir longe estimulando novos desafios e respeito mútuo – lições possíveis sem a extorsão de milhões da população em ineficientes aparatos de ensino MECanizado. Os inúmeros mendigos que vejo na rua, seus problemas não surgiram por ignorar Trigonometria, a maioria sequer tem estrutura emocional para lidar com outras pessoas.

Por outro lado, há a confusão entre criticar o bacharelismo e louvar a irresponsabilidade relativista, partir para o “tudo é válido e tudo vale a mesma coisa”. Só que cozinhar inhame nunca será igual a pintar como um pré-rafaelita, Fagner não é Wagner nem Gilberto Gil se ombra a Gil Vicente. Levantar uma auto-estima que depende de por tudo no mesmo nível, é adular o ego de loucos. Samba e cachaça podem perfeitamente desafogar espíritos reprimidos e se constituir em atividades saudáveis, mas pô-las num pedestal de glórias nacionais apenas explicita uma desorientação de valores e profundo mau gosto.

Para ser direto, acho que os maiores problemas em Educação resumem-se exatamente a estes dois extremos: a estigmatização da (in)capacidade popular; e a marginalização da excelência. Enquanto o debate pedagógico transitar nessa esterilidade, não haverá verdadeira educação; pois, no final, esta não consiste apenas num aprendizado mecânico das matérias determinadas pelo Ministério da Educação, mas em sermos menos idiotas, nem que em um só assunto. É nos tornar decentes, honestos, dignos. E bonitos. E altos. Waaal.

Dica do Monastério: post hayekiano do Dilbert sobre como a ignorância é subestimada (ou, por que não dizer?, ignorada).

Não me venham com “se a ignorância é boa, por que ignorar a ignorância também não seria?”. A falta de formação em algum campo de estudos não é, em si, boa ou ruim. O que considero triste mesmo é essa vastidão de talentos abortados por uma mania de encaixar círculos em quadrados. Simplesmente uma “elite escolhida” resolveu que prefere estes àqueles.

É claro que sempre se pode alegar que há um mínimo, que o analfabetismo é lastimável, que a tabuada é essencial, que saber História é coisa excelente… Concordo. A vida, a evolução normal da convivência entre gerações, ensinou que isso é verdade para quase todo mundo, e não a última moda foucaultiana, nem a pedagogia do oprimido da estação passada.