Berdiav e a Servidão
“A queda do homem se expressa na sua inclinação para tiranizar. O homem tende à tirania, seja em grande ou pequena escala, se não como governante, como marido, pai. O homem tiraniza com ódio e com amor. Sobretudo, tiraniza-se a si próprio. Esta autotirania se manifesta através de uma falsa consciência de culpa. Uma consciência de culpa verdadeira tornaria o homem livre. Mas, atormentado por falsas culpas, produz insalubre auto-estima que o tiraniza nos projetos e visões.
(…)
A verdade está sempre ligada à liberdade. Escravidão está subordinada à negação da verdade. O amor à verdade é o triunfo sobre o medo escravizador. O homem primitivo pulsando dentro do homem moderno é dominado pelo medo. Medo e escravidão são passivos. A vitória sobre a escravidão é obtida com atividade criativa.
(…)
Escravos não podem preparar um novo reinado, pois a revolta de escravos estabelece sempre novas formas de escravidão.”
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Publicado na Folha de S. Paulo, sexta-feira, 09 de dezembro de 1977.
Nicolai Berdiaev, pensador religioso russo, nasceu em 1874 e morreu em 1948. Preocupou-se muito com a questão da liberdade individual. Escreveu “A Nova Idade Média”, “Solidão e Sociedade” e “Escravidão e Liberdade”, de onde foi adaptado o texto acima (capítulo II).

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