Diogo Costa volta a discutir o salário mínimo (SM) no blógue do Ordem Livre. Ele mantém seu posicionamento contrário, e eu continuo concordando comigo mesmo, a favor. Em minha opinião, podem tacar ovos, o SM é uma medida libertária. Explico-me: o liberalismo, segundo suponho ser sua essência, é uma doutrina (um corpo de idéias, uma luta, …) contra a servidão do homem. Considero que o Estado precisa ser mínimo para não sufocar o indivíduo, como é necessário um mínimo de Estado para que ele não seja vítima de outros indivíduos. Não há motivo para acharmos que o governo, com suas leis, seus dogmas constitucionais, seja a única forma de subjugar-nos. O SM é uma ferramenta contra a servidão do homem pelo homem. E não somente o SM, como também a obrigação de o empregador oferecer condições mínimas de salubridade, etc. A meu ver, é possível que se aproveitem do pauperismo para submeter um miserável a situações que podem ser caracterizadas como servidão. Se isso é um contrato, a vontade foi viciada. O SM não deveria ser igual em todo país nem para toda idade, mas é o um dos instrumentos que nos dá algum parâmetro para essa relação de hierarquia tão sujeita a abusos. Estou ciente que o salário mínimo acaba distorcendo os preços da mão-de-obra e, frequentemente, prejudica mais do que ajuda – desempregando muito além da conta por causa de medidas populistas e onerosas aos empregadores. Não é, no entanto, a má aplicação do piso salarial que justifica o seu fim. Continua sendo válido pelos motivos supracitados, e até inventarem algo melhor para impedir a servidão via relações contratuais viciadas de trabalho e hierarquia, sou pelo SM. É o mínimo.