Meu grande amigo da onça NPTO e o Murilo colocaram-me numa boa: passaram um meme em que devo falar 6 segredos. Uma vez que o NPTO se expôs tão bravamente, nem mesmo eu poderia deixá-lo sozinho. Li algumas confissões meio chinfrins por aí, mas a coisa chegou ficar feia, a exemplo do Sergio Leo ter revelado sua antiga profissão de copydesk da infame seção de cartas da revista Ele&Ela e do NPTO ter dormido ao lado de um urso rosa. Ugh!

Vamos nós:

1. Quando tinha uns 15/16 anos, dizia-me ateu e fiz parte de uma banda punk chamada Resto de Aborto (isso mesmo, escrito com “A” de anarquia). Eu era vocalista e escrevia as letras. Estas, de tão horrorosas, convenceram meus amigos que tocavam algum instrumento a se meterem nessa. O baterista, que virou e desvirou straight edge, trabalhava num estúdio de gravação (depois num de tatuagem, claro; agora está na Legião Estrangeira, sério). Marcávamos para ensaiar todos os dias, só que sempre faltava alguém. O mundo ficou sem apreciar as músicas “Padre Assassino” e “Burguesia Falciforme”.

2. Vocês já se deram conta de que eu não batia bem da pinha. Pois bem, usava uma camisa amarela, desenhada a pilot de tecido, com o nome da minha banda inexistente. Olhando o belo estampado, muitos chegaram a asseverar ter ido a algum show nosso. Adoraram. Eu, embalado, concordava e, não raramente, continuava o papo para discutir detalhadamente os shows que nunca aconteceram. Lembravam tudo. As conversas se davam, quase sempre, num bar, na finada Basement (um porão na Galeria Alaska) ou no morto-vivo Garage.

3. Eu andava de skate.

4. Para meus 15/16 anos não monopolizarem a lista, pulo um pouco… Fui DJ uma e somente uma vez. Tinha vinte e poucos. O tema da festa era The Cramps. Como quem entrava logo saía (acho que rockabilly e outros barulhos não agradavam muito), tive que terminar mais cedo para não aumentar o prejuízo da casa.

5. Na faculdade, coloquei um pessoal da engenharia (curso que depois larguei) para um Encontro da UNE, em Minas Gerais. Tudo bancado pelo DCE, eu acho, ônibus e “hotel”. Éramos contra o PCdoB e similares, mas nem todos. O único consenso é que estávamos lá para beber, conhecer mineiras e fazer qualquer coisa que nossos hormônios mandassem – desnecessário dizer que fui incapaz de cumprir muitas de suas ordens. À noite, nos bares, encontrei um pessoal que me perguntou sei-lá-o-quê. Respondi: “ah, vocês também são do Rio”. Eram e participavam do Encontro. Não lembro o motivo, mas me enturmei com eles e me descolei do meu pessoal. Depois da noitada, não sabia voltar. Tudo bem, pude dormir onde meus novos amigos estavam abrigados, no chão de uma escola municipal. De manhã descobri que se tratava de um bunker do PSTU, pois fomos acordados com gritos de guerra, e pegamos um ônibus fretado com gritos de guerra. Ninguém escovou os dentes (sei disso porque pedi pasta emprestada e tive que, sozinho, comprar um tubo na farmácia). Quase me tontearam. Nesse dia, ao invés de voltar para o Encontro, aproveitei para assistir à final do campeonato mineiro. O Atlético ganhou.

6. Muito tempo depois, numa boate “alternativa” (o que, na verdade, significa “falta de opção melhor”), fiquei com uma garota do PSTU, zinovievista-trotskista. Por incrível que pareça, bonitinha, bonitinha. E tinha hábitos higiênico-burgueses! Infelizmente, ela passou a noite tentando me abduzir para o lado vermelho da força. Não retruquei vez alguma. Para agüentar o proselitismo perfumado, apenas comprava cerveja, aumentando o nível de álcool no sangue e a mais-valia entre o barman e o dono da boate.

Passo o meme para o Fernando Torelly, o Marton, o Sol Moras Segabinaze(desconfio que ele teve andanças parecidas), o Avólio (hehe), e a Claudia. Foi mal.