“Ao Itamaraty, em todo caso, parabéns. Tão plácido com as 300 mil mortes e escravidão negra no Sudão, e com aquela briguinha entre vascaínos e flamenguistas lá do Irã, não considerou esta partida um amistoso e interveio de pronto, bem imperialista.”
Marton, na ferida, sobre a posição “pragmática” do Brasil em relação a expulsão de Zelaya, em Honduras.
Orgúio di ser brasileño.
Atualização: Acordo do Brasil e Irã por debaixo dos panos – Itamaraty ajuda Ahmadinejad a burlar as sanções impostas pelo CS da ONU. Na Isto É.

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9 comments
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Junho 30, 2009 às 1:37 am
João Paulo Rodrigues
1. Sacanagem isso de postar após afirmar estar de férias. Só hoje me dei conta de que fui enganado. eEm qual repartição posso reclamar?:
2. O post do Marton é incrivelmente tapado. Disse algo parecido lá.
Junho 30, 2009 às 4:21 am
Igor T.
Na verdade, você se fixou exatamente no que menos me interessou, se Honduras isso ou aquilo. O que me intrigou foi a prontidão brasileira. Isso, sim, foi incrivelmente vergonhoso.
Junho 30, 2009 às 2:11 pm
João Paulo Rodrigues
Num intendi. “Prontidão” contra um golpe é vergonhoso? Num intendi.
Junho 30, 2009 às 5:33 am
Igor T.
E assino embaixo do texto do Alon, insuspeito de antipetismo, antilulismo, etc:
“Nossa emergência como nação relevante no falatório planetário, na discurseira global, está a exigir um upgrade do governo e dos diplomatas brasileiros nas explicações e nos discursos. Se não, fica parecendo só o que é: uma dança ao sabor das conveniências.
“Em nome do princípio de não se meter na vida alheia, o Brasil nega-se a condenar regimes acusados de violar direitos humanos. É compreensível. Não conheço país que adote o respeito aos direitos humanos como primeiro critério de política internacional. Quando o político exibe excessivo interesse no assunto, faça o teste da isonomia. Verifique se ele luta pelos direitos humanos dos inimigos com a mesma ênfase usada para defender os direitos dos amigos. Quem sabe você encontra algum governante que preencha o requisito.
“Mas, se os princípios, inclusive o da não ingerência, valem só quando convêm, recorrer obsessivamente a eles vai acabar, um dia, em desmoralização. Daí a necessidade do upgrade. Uma política externa pragmática precisa de suporte intelectual consistente em pragmatismo. Se vamos passar a mão na cabeça de alguns ditadores num dia e condenar outros no dia seguinte, é preciso um pouco mais de sofisticação.”
aqui: http://www.blogdoalon.com.br/2009/06/ao-trabalho-itamaratecas.html
Junho 30, 2009 às 2:19 pm
João Paulo Rodrigues
Pois é, e aí? Não tenho nenhum apreço excessivo pela política externa brasileira, nem pelo Amorim (embora ele seja bom de entrevista pacas). Acho que errou com Chávez. Acho que é “pragmática” demais no Oriente Médio. Mas o próprio texto do Alon revela que, no fundo, não há nenhuma grande coerência de princípios morais em política externa, nem aqui, nem alhures. Os EUA foram e são o melhor exemplo.
Agora, algo que não foi ponderado é que a posição brasileira se justifica sim pragmaticamente: África ou Oriente Médio rendem din-din, muuuuito din-din. Já Honduras é um asset perfeitamente dispensável em termos de princípios de “respeito à democracia”.
Junho 30, 2009 às 5:13 pm
Igor T.
“Pois é, e aí?” digo eu, João.
A posição brasileira tenta se justificar pragmaticamente, OK, mas como o Alon reconhece, as posições da PE brasileira podem ser desmoralizantes. E já pegam muio mal dentro do país, pelo brasileiro que acompanha e se importa com a imagem do país.
O cara de classe média informado não quer ser omisso em relação à mortandade do Sultão, embora o MRE não tenha o menor pudor disso.
Um tema caro à esquerda: a guerra no Iraque. Uns caraminguás e petrodólares valem? Cagar em cima de Israel, não visitar o país, enquanto se dá trela à ditaduras abertamente anti-judaicas no Oriente Médio “rendem din-din, muuuuito din-din”? Vale?
Como o Alon finaliza, “Se vamos passar a mão na cabeça de alguns ditadores num dia e condenar outros no dia seguinte, é preciso um pouco mais de sofisticação.”
Queria saber de você uma posição clara a respeito disso. Estamos numa trilha lamentável ou tudo está se justificando, como me deu a entender?
Julho 1, 2009 às 12:49 pm
João Paulo Rodrigues
Em parte. Acho que pegariam mal com boa parte das mesmas pessoas se fosse o exato inverso do que é – não levo muita fé de que todo o mundo está preocupado com os caras do Sudão.
A verdade, que infelizmente o artigo do Alon não capta é que o atual governo mudou uma concepção estratégica, mas não alterou certos fundamentos. Um deles é o da não ingerência em assuntos internos na forma de intervenção militar. Mesmo nas intervenções humanitárias e similares o Brasil sempre foi reticente. Daí a oposição à invasão do Iraque. A esquerda pode ter levantado objeções morais, mas não a diplomacia brasileira.
Quanto a Israel, de novo: entre o comércio que pode ser gerado com Israel e o com os países árabes, acho que o puro cálculo econômico ajudou na opção de repúdio às ações militaristas israelenses.
Isso é o que é, independe do meu gosto. Foi isso o que disse. Eu desgosto, mas há furos numa análise como a do Alon: se ele levanta o pragmatismo, tem que analisar pragmaticamente. E, pragmaticamente falando, as ações brasileiras estão sendo mais bem sucedidas do que mal sucedidas naquilo que se propõe (mais) e na percepção internacional (menos). E é isso que dá a medida de uma diplomacia de sucesso.
Não acho que a trilha, como um todo, seja lamentável. Eu preferia perder certos negócios em prol de certos matizes.
Julho 1, 2009 às 1:56 pm
Igor T.
“A verdade, que infelizmente o artigo do Alon não capta é que o atual governo mudou uma concepção estratégica, mas não alterou certos fundamentos. Um deles é o da não ingerência em assuntos internos na forma de intervenção militar. Mesmo nas intervenções humanitárias e similares o Brasil sempre foi reticente.”
Opa, opa, e o Haiti?? Não chego ao absurdo de comparar com uma intervenção americana no Iraque, como fazem os PSOLs e PSTUs da vida, mas desdiz o que você acaba de afirmar.
Sobre Israel, não estou falando, claro, de apoiar ações militares, que é de uma complexidade sem fim. Estou falando de o supremo mandatário sequer passar para um visita ao país, enquanto deu rodou meio Oriente Médio. Cadê a diplomacia pura e simples? Este governo que se diz pragmático é bastante principiológico. E isso não passou direto pelas análises do Alon, pelo contrário.
Sobre os ganhos materiais, muitos embaixadores velhos de guerra enxergam um terceiro mundismo travestido de mascate. Eu também vejo assim, além disso, Doha não tem sido exatamente um sucesso. Não só por causa do Brasil, claro, mas na última reunião, por exemplo, fomos marcados por absoluta falta de jogo de cintura.
E pragmaticamente falando, o que era aquela listinha de livros doutrinários que rodou pelo Itamaraty? Acho que você está comprando gato por lebre, João.
Julho 2, 2009 às 8:56 pm
João Paulo Rodrigues
O Haiti não é uma intervenção do modelo que o Brasil costuma não participar. Mais uma vez: falamos de tendências, não de absolutos. O Brasil participou da intervenção em Santos Domingos, lá em 65. O Brasil só foi ao Haiti após um acordo costurado com França e EUA e com aval da ONU.
Quanto aos velhos embaixadoras, esses são na maioria viúvas. Sabem que exageram. Quem conhece o Itamaraty sabe qual o enorme peso das questiúnculas pessoais. A regra é: onde estou e para onde vou. Quando o cara é encostado gera aquilo que temos visto que, é claro, é amplificado porque efetivamente há elementos verdadeiros. Ganha verossimilhança. Um exemplo: Rubens Barbosa no Roda Viva veio com o papo de que há muitos gastos com novas representações na África. Ora, ele bem sabe, porque isso começou com o FHC, se não com os militares, que o interesse pela África só na cabeça do Samuel Pinheiro Guimarães tem a ver com o eixo sul-sul, globalização alternativa, solidariedade terceiro-mundista. A questão são negócios. Desde o final dos anos 90 a África vem, no cômputo geral, se pacificando e se tornando atrativa. Não tem mais país socialista. Angola e Moçambique são governados por uma plutocracia altamente afoita por contratos e investimentos. Odebrecht e similares são as maiores incentivadoras da abertura de representações comer… digo, diplomáticas. Veja os novos voos que existem. Veja o que a China tá fazendo. Se trata disso. E as viúvas sabem disso. O Celso Amorim, no Roda Viva falou destas coisas, com menos contudência, claro. O Barbosa calou. Fez o jogo prá platéia, mas concedeu que não há argumentos contra isso, pois ele mesmo vivenciou o início do processo e sabe que o retorno não se mede pelos poucos gastos com embaixadores e aumento do pessoal.
Concordo totalmente sobre Doha, razão pela qual o Sergio Leo foi extremamente mal educado comigo no blog do Idelber. Para mim foi um fracasso. Ele não gostou da palavra fracasso e o argumento que usou era tão simplório que a conclusão que se tira é que não existem fracassos para países de segundo ou terceiro escalão.
Sobre Israel, concordo que politicamente e mesmo simbolicamente Lula deveria ter lá. Mas o cálculo tentou ser mais realista do que deveria.
Sobre listinha, sinceramente, não sei de nada.
Abraço.