“ocorre que as ciências humanas, ou praxeológicas, são axiomático-dedutíveis. Ou seja: a partir de um axioma que não possa ser refutado são dedutíveis as conseqüências das regularidades do comportamento humano. Não adianta fazer experiências; não bastam boas intenções: é preciso refutar o axioma original. E o axioma central da ação humana: toda ação humana visa obter um aumento de satisfação”
Donald Stewart Jr., no blógue do Sol.
Não sei se notaram o pormenor: esperar que as ações humanas sejam perfeitamente dedutíveis é apenas uma forma de não mais se responsabilizar por elas. No final das contas, mais uma desculpa para os engenheiros sociais cuidarem de nós através de suas próprias deduções. Vamos com calma.
Considero a “praxeologia” de Mises uma das maiores pisadas na bola dos liberais. Defendamos a liberdade como bem político, sim, mas ninguém precisa comprar pacotes ideológicos completos.
Prefiro a máxima orteguiana “eu sou eu e minhas circunstâncias”, donde eu≠axioma.
P.S.: A maior refutação contra essa hybris dedutiva é minha cafeteira, ela nunca se comporta como se espera. E é apenas um eletrodoméstico.

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9 comments
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Junho 30, 2009 às 10:47 am
Claudio
Eu nem diria que há um erro em afirmar que “toda ação humana visa obter um aumento de satisfação.” O grande erro ao meu ver é dos “mais-misesianos-que-Mises” que acham que satisfação só se obtém materialmente. Provavelmente resultado de uma mistura de Mises (o homem busca satsifação) com Ayn Rand (me, me, me, me), sei lá.
Junho 30, 2009 às 5:57 pm
Igor T.
Pois é, Claudio, a mistura é explosiva.
Junho 30, 2009 às 1:06 pm
Sol Moras Segabinaze
O aumento da satisfação não é necessariamente material. Aonde que foi dito isso? O cara pode ter aumento de satisfação com um esperiência estética, espiritual, emocional, you name it. O valor é subjetivo, ora bolas.
E o que tem a ver a cafeteira com o ser humano?
O Igor fala como se as circunstâncias de cada um não estivesse na equação da ação humana. Ora, não só está como é determinante.
Também não compreendo como esse axioma daria margem pra ação de “engenheiros sociais”. Na verdade é o contrário, já que somente o indivíduo é capaz de decidir o que vai ou não aumentar a sua satisfação.
Junho 30, 2009 às 5:54 pm
Igor T.
“O Igor fala como se as circunstâncias de cada um não estivesse na equação da ação humana. Ora, não só está como é determinante.”
Opa, opa. Não falei, não. Só disse que esse axioma é forçar a barra e que não tem essa de regularidades de comportamento dedutíveis como pensa Mises, afirmado nesse texto do Donald Stewart Jr..
Repito, “eu sou eu e minhas circunstâncias”, donde eu≠axioma, donde eu=alguma coisa que conhecemos um pouco mas nem tanto.
…….
“Também não compreendo como esse axioma daria margem pra ação de “engenheiros sociais”. “
Sol, não é esse axioma em si, mas qualquer um que afirme reduzir a ação humana num axioma qualquer. Você pode levar à dedução que você quiser, na verdade. Usando o que vocâ disse, “já que somente o indivíduo é capaz de decidir o que vai ou não aumentar a sua satisfação”… mas (sempre há um mas) ele se subrepujará ao outro se tiver necessidade, logo iremos à barbárie, logo é necessário um Leviatan que se sobrepuje também, mas alcance um mal menor a todos”… Vai de acordo com a imaginação e os projetos de cada um. Entende o que quero dizer?
Junho 30, 2009 às 8:19 pm
Sol Moras Segabinaze
Os humanos agem querendo sair de uma estado de menor satisfação pra um de maior satisfação.
Ou alguém age querendo sair de um estado de maior satisfação pra um de menor satisfação? Nem um masoquista faz isso, já que tem prazer na dor ou no desconforto. Agora, quando eu tô picando um tomate e me corto, isso não foi intencional, foi um acidente.
Igor, sobre a sua resposta no seu blog, você sabe bem que o estado serve justamente pra isso, pra proteger a vida, liberdade e propriedade contra a coerção alheia.
E as circunstâncias de cada estão inseridas no conceito da ação humana.
É a última vez que repito isso. hehe
Ab
Junho 30, 2009 às 8:46 pm
Igor T.
Eu sei que é a última vez que você fala, mas o negócio das circunstâncias são… er… circunstanciais.
O problema é o “eu”.
Resumindo bem a questão:
Se (eu + circunstâncias) = (axioma + circunstâncias)
logo, eu = axioma
Isso não é aceitável.
Não aceito que a partir do axioma tal e tal você deduz o comportamento humano, inserido nas circunstâncias X ou Y.
Infere-se o que faremos, diante de circusntâncias X ou Y, a partir desse negócio que chamamos de eu e ninguém sabe ao certo o que é?
É muiiiito diferente.
Junho 30, 2009 às 1:12 pm
Sol Moras Segabinaze
Aliás, seria engraçado o Mises achar que somente coisas materiais trariam aumento de satisfação. Logo ele, que ao conhecer a esposa foi logo dizendo:
“Escrevo bastante sobre dinheiro, mas não tenho muito e provavelmente nunca terei”.
Junho 30, 2009 às 8:03 pm
Igor T.
Sol, o Claudio quis dizer que isso vale para os “mais-misesianos-que-Mises” feat. randianos.
Junho 30, 2009 às 1:13 pm
Sol Moras Segabinaze
Tem um erro de concordância ali na minha primeira mensagem, mas não dá pra deletar e escrever de novo.
Relevem. hehe