Tostão, um liberal
“Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o Governo Federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.
“Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que esse valor corresponde ao que ganho em uns dois anos para escrever minhas crônicas para vários jornais.
“O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época.”
Tostão e o senso comum brasileño
“O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.”
“É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades. A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.”
(dica do artigo: Selva)
Nota d’A Mosca: Ninguém tem que segurar a barra de ninguém porque pessoas maravilhosas resolveram pela carreira artística, literária ou de jogador de futebol. Esta, principalmente. O capitalismo, o tropicaliente incluso, permite que exista uma profissão em que um sujeito quase sem escolaridade, fazendo o que mais gosta na vida, ganhe entre 3 vezes o salário de um porteiro e 5 vezes a comissão de um alto executivo de banco internacional. Pode não dar certo, mas, no mundo das pessoas normais, que outra chance ele teria de ascender tão rapidamente? Alegam que a carreira é curta, mas acho isso positivo, pois são enormes as chances de, em tempo, o ex-esportista tentar outra profissão. É a vida, é assim com todo mundo. Repito: ninguém tem que sustentar, a não ser por vontade própria (o que é louvável, etc), as escolhas de ninguém. Que se dane a Copa.

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