Duas fortes discussões rodaram a bloguestroika: no córner esquerdo do ringue, NPTO versus O Globo; no direito, Not Tupy contra a Veja. Em ambos os casos, a grande imprensa se limitou às cordas e ao knock-out técnico. Estava em péssima forma (era como bater num pudim!).
Fabio Marton castigou a capa da Veja, que iniciou a luta com seu golpe mole “Quem cheira mata”. Marton, respondendo com um direto de direita:
A Lei Seca criou a máfia de Chicago e essa máfia desapareceu com o fim da Lei Seca. Parece um tanto óbvio que a máfia será mais poderosa quando qualquer um que queira tomar uma cerveja precise financiar a máfia para isso. Alguém poderia, e deve ter dito então: “amigo, sua cerveja está matando criancinhas”. Se, seguindo essa lógica, as pessoas deixassem de beber, para sempre estaria sedimentada a tirania dos puritanos e toda a disputa se resolveria com esse tipo de lógica circular. Dizem hoje os conservadores: cheirar pó ou tomar E financia o tráfico, pois essas substâncias são proibidas e só podem ser obtidas de traficantes. Assim sendo, é moralmente errado usar drogas. Portanto, as drogas devem continuar proibidas – e continuar sustentando traficantes.

Ele prosseguiu desmontando o adversário golpe a golpe, como se tivesse um martelo nas luvas. A briga continuou nos vestiários, com fãs do argumento repressor nos comentários. Estão perdendo.
…
Celso “NPTO” mal fez força para administrar a luta, que durou apenas 6 rounds, e foi para a finalização quase sempre. Não sei como as cordas não arrebentaram ali mesmo – estas, sim, desafiaram as leis da física; e O Globo, as da medicina. Nunca vi um adversário sangrar tanto. Não jogar a toalha seria eutanásia assistida. Vimos o juiz contanto até dez, mas logo percebi que, ao passar do “onze”, ele estava mesmo catando os dentes do adversário que ficaram pelo ringue.
Vamos aos melhores momentos:
A hipótese de trabalho d’O Globo, supondo que não levemos em consideração a retratação já apontada, é que o Bolsa Família faz as pessoas desistirem de procurar emprego formal.
Isso é um raciocínio causal. A estatística nunca resolve debates sobre causalidade, porque, bem, nada resolve. Nas ciências naturais, a regularidade é suficiente para a gente agir como se resolvesse, mas se você quiser achar uma lei geral das sociedades, bem, welcome to hell. Tendo dito isto, é claro que, se você achar uma correlação entre duas variáveis, você, sem dúvida, aumentou a credibilidade de sua hipótese acentuadamente.
Daí em diante, ainda vai ser possível discutir seu resultado, mas aqui já passamos de um ponto metodologicamente primitivo que é completamente ignorado na reportagem: PARA FAZER UMA AFIRMATIVA CAUSAL, É PRECISO APRESENTAR OS DADOS SOBRE DOIS PONTOS NO TEMPO.
Olhem lá os dados apresentados sobre alcance do BF e formalização de emprego: na verdade, só tem dois números: em cidades onde o programa beneficia 71% das famílias,o trabalho formal chega a 1,3% da população.
Para começar a conversa, deveríamos ter dados sobre qual era a porcentagem com emprego formal antes do BF. Se ela fosse menor do que 1,3% (o que é perfeitamente plausível: em uma das cidades analisadas, os 4 trabalhadores formais foram contratados há pouco tempo), o BF pode ter levado a uma ampliação do emprego formal. Se ela for significativamente maior que 1,3%, por exemplo, 10%, o BF vira suspeito, mesmo, mas nada remotamente semelhante é sugerido na reportagem. E, o que acho muito mais provável, o número fosse mais ou menos o mesmo, um pouco menor ou maior, não encontramos relação entre as duas coisas.
MONSTRO!
A vitória foi tão esmagadora que ninguém quis criar confusão nos vestiários, além disso o NPTO tem muitos fãs que inibiram qualquer disputa e trolls.
…
Marton continua uma série de posts sobre o assunto logo depois. Sugiro fortemente a visita, dados históricos, leis antigas e novas, tudo bem contextualizado. Ao Celso, também; discordo de (e não entendo) seu entusiasmo ao governo atual, mas essa reportagem, de fato, virou saco de pancada.
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